domingo, 29 de setembro de 2013

ENTREVISTA: PIMENTA DA VEIGA DIZ QUE AÉCIO TERÁ 4 MILHÕES DE VOTOS DE FRENTE

Entusiasmado com a função de coordenar a campanha de Aécio Neves à Presidência, o tucano, que retornou a Belo Horizonte recentemente, garante que Minas vai decidir a eleição nacional e admite que, se for chamado para disputar o governo mineiro, não se negará

Por que o senhor resolveu voltar para Minas e assumir a coordenadoria da campanha de Aécio Neves em Minas Gerais? Porque é um movimento político que está se instalando no Brasil e que não pode deixar ninguém de fora. Fui convidado e, se acham que eu tenho serventia para isso, eu não podia me negar. Acho que esse movimento político que, a partir de Minas, está ganhando o Brasil para modernizar, para dar um rumo definitivo ao país, é fundamental. Acho que qualquer pessoa convidada deve participar dele, é o meu caso.

O que o senhor acha que tem de especial nesse momento político agora que justifica o seu retorno? São dois fatores. Primeiro o sinal das ruas – esses grandes movimentos populares que ocorreram no meio do ano mostram que o Brasil está querendo encontrar uma nova direção. Se o país estivesse satisfeito como o rumo que está, não iria se manifestar de forma tão evidente, com milhares de pessoas na rua. Esse é um movimento que pode fazer do Brasil um país melhor. Eu quero contribuir para que esse movimento possa encontrar a melhor direção. Esse é um ponto. O outro ponto, o surgimento de uma liderança forte. Todos os grandes momentos de qualquer nação coincidem com a ocorrência de uma grande liderança. Hoje, Minas tem a liderança de Aécio Neves, em torno da qual os mineiros devem se alinhar para promover as mudanças que o Brasil precisa.

O que o senhor acha que diferencia a candidatura de Aécio Neves em relação às outras candidaturas do PSDB, como Geraldo Alckmin e José Serra? Eu não tenho nenhuma dúvida, sem nenhum demérito dos governadores Geraldo Alckmin e José Serra, de que Aécio Neves tem o que é essencial numa liderança: competência política e carisma. Ele está maduro para ser presidente da República. Minas pode iniciar um período agora, a partir desse movimento que está sendo criado, que pode ser referencial na nossa história. Portanto, Aécio reúne as condições indispensáveis: experiência administrativa, conteúdo pessoal e carisma. Líderes não são feitos apenas por uma competência específica, eles precisam ter carisma. Aécio tem.

Minas tem um papel mais importante do que teve nas outras eleições. As eleições podem ser decididas aqui? É absolutamente certa essa afirmativa. As eleições presidenciais do ano que vem vão ser decididas em Minas Gerais. Em nenhum outro Estado pode haver a diferença a favor de um candidato como certamente Aécio terá em Minas. Se nós considerarmos que, em São Paulo, as diferenças não serão muito grandes por circunstâncias especificas, o segundo colégio eleitoral passa a ser o mais importante, que é o caso de Minas. Mais do que isso, se nós olharmos para o terceiro e quarto colégios, também nenhum deles apontam para uma diferença forte a favor de alguém. Portanto, a importância de Minas nestas eleições será simplesmente decisiva. Aqui se vai ganhar a eleição ou perdê-la.
Desse ponto de vista, um candidato ao governo de Minas é fundamental. O PSDB  vai ter uma candidatura própria ou vai se aliar? O PSDB tem, aqui no Estado, uma grande aliança de partidos. Nesta eleição, nós vamos ampliá-la. O partido oferecerá bons nomes para essa disputa, mas depende da aliança. O que vejo é que há a ideia de apoiar um candidato do PSDB, mas isso não é inexorável. Isso será visto em um momento adequado um pouco adiante.

Objetivamente, o senhor é um desses nomes? Eu não tenho nenhum pleito pessoal, rigorosamente nenhum pleito. Vim para ajudar o partido e sobretudo ajudar o Estado. Acho que é um momento decisivo na vida de Minas. Imagine um presidente que conhece a fundo os problemas mineiros e tem tantas ligações com Minas, como é o caso do Aécio. É uma oportunidade que não podemos definitivamente perder. Não tenho pleito pessoal. Agora, não me negarei a exercer outras missões se me forem delegadas. Mas não pleiteio nada.

Mas quando o senador traz o senhor de volta a Minas, está colocado essa opção claramente... Não acho que a intenção foi colocar essa opção, mas também não posso negar o fato político. A partir da minha chegada, esse assunto passou a ser ventilado e tem sido ventilado fortemente. Mas isso não é o que orienta meu comportamento. O que eu quero com muito entusiasmo fazer é a organização desse movimento para a modernização do Brasil.
O senhor disse agora que se o senador Aécio Neves for presidente, a relação do governo federal com Minas pode mudar completamente. O PT tem tratado mal o governo de Minas? Não vou avaliar as relações do governo federal com o de Minas. O que me deixa horrorizado é o descaso do governo federal com Minas Gerais. Na verdade, como disse outro dia, o Palácio do Planalto virou as costas para Minas. Todas as grandes pendências mineiras, todos os grandes problemas do Estado foram ignorados pelo Palácio do Planalto. Dou exemplos: a fábrica da Fiat, que vai gerar milhares de empregos, bilhões de reais de tributos e que, por uma consequência natural, deveria ser implantada em Minas Gerais, foi levada para Pernambuco por estímulos do governo federal. O polo acrílico, que seria um embrião de um polo petroquímico, que é essencial para um desenvolvimento da economia, foi anunciado com estardalhaço e, no entanto, acabou sendo levado para a Bahia. Em dez anos do governo do PT, não foi colocado um metro de trilho no metrô de Belo Horizonte. É um descaso poucas vezes vistos em relação a Minas Gerais. Minas é um Estado mediterrâneo, então, por aqui, passam as grandes rodovias federais do país. Os trechos mineiros são simplesmente abandonados.

Agora que o PSB deixou a base do governo federal, uma aliança entre PSDB e PSB é viável? Marcio Lacerda pode unir os dois partidos em Minas? Quero dizer que o movimento que o PSB fez no nível nacional foi de grande importância. Porque o PSB foi, durante muitos anos, um dos sustentáculos do governo do PT, era talvez o partido mais disciplinado da base do governo e resolveu agora seguir caminho próprio, com toda a razão. É evidente que essa decisão tem duas inspirações. Primeiro porque o PSB tem uma liderança muito importante, que é o governador Eduardo Campos, que quer seguir sua trajetória porque se cansou de ver os erros, os equívocos, os desmandos, o autoritarismo do PT no governo. E quem diz isso não sou eu, estou apenas repetindo o que a direção do PSB cansou de dizer. Então, o PSB se desligou do governo Dilma e vai seguir sua estrada, que eu espero que seja paralela à nossa. Juntos poderemos fazer muito pelo país. Quanto à posição do prefeito Marcio Lacerda, eu não posso analisá-la antes de uma manifestação dele. Não existe candidatura sem que o candidato pretenda ser. Pelo que tenho ouvido, o prefeito Marcio Lacerda acha inoportuna sua saída da prefeitura para pleitear qualquer cargo. Tenho por ele apreço pessoal, mas não posso avaliar uma candidatura que ele tem negado. É até um gesto de descortesia política.

Como o PSDB vai conseguir retirar os votos da Dilma Rousseff, que, em recente pesquisa, já voltaram a subir e ter uma frente grande? Não é uma frente grande não. Ela está, em relação a posições em que já esteve, em uma posição muito modesta. É preciso ver que o índice de rejeição da presidente está muito alto, é uma coisa negativa para qualquer candidato. Estamos fazendo a estruturação do nosso plano de governo, que terá muitos pontos objetivos que vão ser detalhados perante a opinião pública. Mas eu não acho que é uma ousadia dizer que nós vamos ter mais de 4 milhões de votos de frente em Minas Gerais. (Carla Kreefft) Jornal O Tempo.



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