quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

MINAS GERAIS:O ATUAL MOMENTO DO GOVERNO MINEIRO

1) Crise financeira. O governo mineiro deve 57 bilhões de reais à União. Recentemente, pediu autorização à Assembléia Legislativa para contrair empréstimos no exterior, em parte, para pagar a CEMIG. Este é um limite efetivo para a capacidade de resposta política do governador. Seu campo de ação está mais limitado. No primeiro ano do governo Aécio a situação parecia similar. Mas aí vem o faro político. Aécio simplesmente cortou na carne e anunciou que não faria grande coisa nos dois primeiros anos. Fez caixa.

2) A oposição renasce em MG. Nos anos Aécio a oposição era figurativa. Não apenas em função da capacidade política do governador, mas principalmente em função da escolha de Lula em fazer afagos ao governo mineiro, estimulando a cizânia tucana. No primeiro ano da gestão Anastasia tudo foi diferente. Clésio Andrade, o ex-vice governador de Aécio Neves, assumiu uma cadeira no Senado atirando no ex-aliado e bandeando para o lulismo. Em seguida, formou-se o bloco parlamentar Minas Sem Censura. O próprio nome adotado pelo bloco oposicionista sugeria que algo havia mudado. PMDB e PT, em especial (o bloco contava, ainda, com PCdoB e PR), afiaram as garras e colocaram o aecismo na parede. O caso do bafômetro carioca envolvendo Aécio foi alçado à condição de nitroglicerina. Em seguida, a greve liderada pelo SindUTE que bateu recorde de dias parados no magistério público mineiro. A superexposição chegou a abalar a montagem da agenda do governador, que temia ser vaiado em cada cidade polo que visitasse.

3) Mudança no núcleo duro de gestão. Em tempos de Aécio, o núcleo duro de gestão era composto por Anastasia, Andrea Neves e Danilo de Castro. Em tempos de Anastasia, Andrea e Danilo perderam poder. Ainda mandam, mas sem grande desenvoltura. No lugar da tríade, emergiu Maria Ceoli Simões Pires, secretária da Casa Civil e Relações Institucionais. Amiga pessoal do governador, Ceoli é técnica e firme. É acionada para quase tudo. Obviamente que esta mudança gera impactos. Tanto no trato com a Assembléia Legislativa, como prefeitos e aliados políticos. Mas o impacto maior fica no interior do governo. Nenhum político gosta de perder poder. E, na prática, criaram-se algumas zonas de auto-governo. A área social continua sem rumo. Sempre há problemas políticos numa transição.

Anastasia implementará mudanças no início de ano. Mais uma semelhança com Dilma Rousseff. A Secretária de Educação está na mira e parece caso certo de mudança. Mas a crise internacional, que afeta duramente Minas Gerais (como todas crises internacionais) diminuirá ainda mais o espaço de manobra do governador.

Começou anunciando inovações, mas terá mais um ano de defesa. Pior, por ser ano eleitoral. PT e PSDB sugerem que pretendem aumentar em 50 prefeitos em seu reinado mineiro. E PMDB afirma que manterá seu atual quadro de prefeitos. Faltará município.

fonte:Ruddá Recci

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