quarta-feira, 16 de março de 2011

TRÁFICO DE TRABALHADORES EM PATOS DE MINAS

Cinco pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal em Patos de Minas por tráfico de trabalhadores para o exterior. A quadrilha atuava nas cidades de Patos de Minas, Carmo do Paranaíba, Rio Paranaíba e outros municípios próximos.

Segundo a denúncia do MPF, as vítimas eram iludidas com promessas de emprego na Europa, especialmente na Bélgica, com remuneração de 14 euros por hora. Para isso, elas deviam contratar a empresa American Jobs Tour Ltda, de um dos acusados, pagando R$ 8 mil como condição para o transporte e obtenção de emprego no país. Uma empresa de Belo Horizonte também integraria o esquema, sendo responsável pela compra das passagens aéreas e cartões bancários de moeda estrangeira para as vítimas.

Em uma das ocasiões, os trabalhadores foram enviados à Bélgica acompanhados do proprietário da empresa. Eles ficaram aos cuidados de uma brasileira que os hospedou em sua residência. Conforme o MPF, as vítimas passaram dois meses no local, sem conhecimento do idioma, emprego ou qualquer assistência. A dona da casa ofereceu apenas colchões aos trabalhadores, que haviam levado apenas 200 euros cada um. O dinheiro foi usado para comprar alimentos e agasalhos.

Durante esse período, as vítimas foram contatadas pelo proprietário da empresa, que se ofereceu para levá-los para a Inglaterra caso pagassem uma nova quantia. Em seguida, ele procurou familiares dos trabalhadores no Brasil, que foram obrigados a assinarem notas promissórias com pagamento para traslado, sob ameaça de que se o pagamento não fosse efetuado, os trabalhadores seriam mantidos na Bélgica. Já com as notas promissórias, o acusado não providenciou o transporte e as vítimas precisaram conseguir empréstimos para conseguirem voltar ao Brasil.

Ainda de acordo com o Ministério Público Federal, as atividades da quadrilha também se estendiam na Inglaterra e nos Estados Unidos. O proprietário da American Jobs Tour chegou a ser preso em flagrante, em 2008, na fronteira do Canadá com os EUA, tentando entrar em território norteamericano com dois brasileiros em situação irregular. Os acusados também vão responder por estelionato, extorsão e formação de quadrilha. As penas máximas dos crimes, somadas, podem chegar a 21 anos de prisão.

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